Viajar sozinha

Viajar sozinha é uma escolha difícil.

Eu tomei a decisão de sair atrás de me conhecer melhor e buscar um espaço meu e ter mais tempo pra me entender, mas a verdade é que eu sempre vou achar melhor ter companhia.

E não é só pelo desafio de planejar e decidir tudo: é também pelo se virar para descobrir se você pegou o ônibus certo, não esqueceu algo crucial em casa, escolheu um bom lugar pra almoçar ou fez bem em virar as costas pra atendente malcriada que preferiu ficar falando ao telefone.

Mas, pra mim, a parte mais difícil é não ter com quem compartilhar as situações. É ter que esperar pra mostrar a foto do “Valdívia” vendendo figurinhas na rua. É descobrir finalmente o que são “Picadas” e não ter capacidade de comer o prato inteiro sozinha. É ficar encantada com o hotel que está e ter que ir dormir neste quarto incrível sozinha. É abrir uma garrafa de vinho e ter que tomar até o fim (ok, essa parte é boa!).

Por outro lado, é legal falar com outros viajantes e ver a admiração pela atitude e os incentivos deles quando digo que estou sozinha. Ou encontrar conhecidos na cidade e descobrir que perdeu tempo em não conversar mais com eles antes. Acaba sendo uma maneira de conhecer e descobrir muita coisa.

Mas a minha lição maior está sendo lidar com crises. Um grande perrengue com meu cartão de crédito me fará viver os próximos dias como monja. Lidando com restrições e frustrações, só para dizer o mínimo. Mas não era isso mesmo o que eu queria? Nas adversidades aprendemos as maiores, e talvez as melhores, lições.

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Uma resposta para “Viajar sozinha

  1. Apesar de tudo isso Nany, você me dá lições. De coragem, de decisão, de peitar o medo, ficar sozinha, se aventurar…Não sei se aprenderei, mas, de qualquer forma te admiro. Já fiz algumas coisas assim, poucas, mas não com tanta desenvoltura. Agora, em uma coisa concordo com você, não tenho o menor tesão de viajar sem poder cutucar e mostrar o que vi de legal, em comentar alguma coisa na hora, compartilhar alguma coisa, trocar ideia. Preciso de gente do meu lado. Você e sua irmã são as melhores companhias na minha vida (e ó que sua irmã as vezes me aborrece) mas, eu sei que tenho que aprender mais ainda com vocês. Próximas lições: Desapego. Viver sozinha. Reaprender a ser o que eu era antes de vocês. Resgatar o que eu sonhava em fazer e deixei meio que de lado quando vocês chegaram. Difícil resgatar. Mesmo porque os sonhos mudaram um pouco de jeito.
    Deixar de ser mãe, jamais! Mas, tentar pegar de volta o que fui deixando no caminho até aqui. Quem sabe eu consigo.
    Fica firme aí. Eu tô sempre por aqui.
    te amo minha filha destemida 🙂

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