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Quitando a minha dívida comigo mesma

Há cinco anos, o Pearl Jam veio ao Brasil pela primeira vez, e eu era uma universitária quebrada, morando em São Bernardo com os meus avós e fazendo a faxina semanal do apê (e outras tarefas) em troca de “casa, comida e roupa lavada” e do dinheiro do transporte e dos livros pra faculdade.

Resumindo, os R$70 da meia entrada (acho que era isso na época) me fariam muita falta. E desisti do show de uma das bandas mais representativas da minha adolescência.

Sim, me arrependi. Todos que foram ao show disseram que foi o melhor show da vida. Ouvi as gravações e dava vontade de chorar. Foi um dos poucos shows que quis muito ir e não fui – junto ao do Silverchair e dos Backstreet Boys. Em relação aos dois últimos, a vontade passou. Mas Pearl Jam não.

Fazia muito tempo que não ouvia os CDs da banda, e ela havia ficado um pouco para trás – até anunciarem o novo show esse ano, comemorando os 20 anos de formação. Dessa vez eu não perderia a oportunidade! Comprei os ingressos pra arquibancada azul.

Seriam dois dias de show, e eu iria no segundo (ontem). Ao ver a setlist tocada na quinta, me entristeci profundamente ao encontrar Black, já que nem sempre o Pearl Jam toca as clássicas nos dois dias. Corria o risco de não ouvir uma das músicas mais importantes da minha vida.

Fizemos a via-sacra dos ônibus para chegar ao Morumbi, e o começo do show foi meio decepcionante. Só tocaram Do The Evolution das minhas mais queridas. Aí veio Even Flow, e meu humor melhorou. Eddie Vedder agradeceu o público apaixonado, contou detalhes da carreira e da vinda ao Brasil em 2006, e foi bem emocionante. Então perguntou se o pessoal tinha tempo pra mais músicas, porque tocariam mais do que na noite anterior, para celebrar a imensidão de fãs presentes.

E foi quando veio a sequência matadora de clássicos, e sim, entre eles Black (com direito a choro e arrepios), Last Kiss, Once, Alive e Better Man. Showzasso, e a galera fervia na pista, como nunca vi antes.

Comprei os ingressos para quitar uma dívida antiga comigo mesma, e tapar um buraco da minha existência. Mas, mais que isso, revivi parte do meu passado que estava quieta e perdida, e reencontrei uma paixão, que não pretendo deixar de lado novamente.]

Tattooed all I see, all that I am, all that I’ll be.

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